terça-feira, 3 de maio de 2011

Métodos de alfabetização de Vigostsk, Piaget e Emilia Ferreiro.

Os métodos sintéticos foram desenvolvidos e aplicados num momento em que a escola, uma instituição que estava sendo inicialmente organizada, apresentava precárias condições de funcionamento, e em virtude de diversos aspectos, entre eles as dificuldades de utilização e de manutenção e do alto custo do material para escrita, priorizava o ensino da leitura. Para o desenvolvimento de tal atividade, eram utilizados os métodos alfabético, fônico e o silábico.
O método alfabético ou de soletração é considerado o método mais antigo, empregado desde a Grécia continuou a ser utilizado até o século XIX, período em que a escolarização passou a ser desenvolvida no Brasil. Tem como unidade principal a letra, sua seqüência partia de uma ordem crescente de dificuldade, iniciando pela decoração oral das letras do alfabeto, seu reconhecimento posterior em pequenas seqüências e numa seqüência de todo o alfabeto e, finalmente, de letras isoladas. 
Em seguida a decoração de todos os casos possíveis de combinações silábicas, que eram memorizadas sem que se estabelecesse a relação entre o que era reconhecido graficamente e o que as letras representavam, ou seja, a fala. (FRADE 2007, p. 22).  O fato de ser desenvolvido através de inúmeros exercícios que afastavam o aluno do texto e da compreensão do que estava sendo ensinado, é que o método passou a ser gradativamente eliminado e substituído por outros que se apresentavam como mais eficientes. Mesmo com a crítica existente sobre sua falta de sentido, sua utilização ainda acontece no Brasil (MORTATTI, 2000), principalmente no Nordeste, com as Cartas de ABC.  
O método fônico tem como unidade central o fonema e “passou a ser adotado no lugar do alfabético na tentativa de superar a grande dificuldade existente naquele por causa da diferença entre o nome som da letra” (RIZZO 1986, p. 07). Parte do principio de que é necessário ensinar as relações entre sons e letras, para que seja possível estabelecer relação entre a palavra escrita e a falada, sendo esse o principal objetivo do método. 
O método analítico ao romper com o processo de decifração propõe formas de trabalho que priorizam a análise e compreensão, “defendendo a inteireza do fenômeno da língua e do processo de percepção infantil” (FRADE 2007, p. 26). Seu ensino tem como unidade de análise a palavra, a frase e o texto tendo como estratégia inicial a compreensão global para posterior analise das unidades menores.  
O método de palavração  conforme Rizzo (1986) foi introduzido por Comênio em meados do século XVII, as palavras são apresentadas de forma agrupada, e geralmente seu ensino parte do pressuposto de que os alunos aprendem a reconhecê-los através da memorização de sua configuração gráfica.  A ordem de apresentação de palavras, quando criteriosamente planejada, auxilia, substancialmente, o estabelecimento de habilidades de leitura inteligente. Ao mesmo tempo a atenção é dirigida aos detalhes da palavra como sílabas, letras e sons. E estes depois reunidos, auxiliam o aluno a enfrentar palavras novas com autonomia de leitura. (RIZZO 1986, p. 24). Conforme Frade (2007) as atividades são desenvolvidas tendo como procedimentos o uso de cartões de fixação, em que relacionam palavras e gravuras, também são utilizados exercícios sinestésicos para o movimento da escrita de cada palavra.   Apesar da ênfase dada a leitura como fonte de prazer e a busca de significado, não foi suficiente para enfrentar as críticas, principalmente referentes as dificuldades de enfrentar novas palavras  levando ao desenvolvimento de um novo método global. 
O método de sentenciação tem como unidade central a sentença, que após ser trabalhada e reconhecida globalmente passa a ser decomposta em palavras e posteriormente em sílabas. No Brasil existem poucos estudos que  explicam sua utilização, mas Rizzo (1986) apresenta algumas vantagens em sua utilização como a de atender os princípios mais avançados de aprendizagem da época, mas também apresenta suas desvantagens, como a ênfase na memorização ao invés da análise. O aparecimento do método global de contos ou de  historietas aconteceu no Brasil no inicio do século XX. Ele possui como unidade de análise o texto, e é considerado uma extensão do método de setenciação. Primeiramente é realizada a leitura do texto, para posterior reconhecimento das sentenças, das palavras e finalmente das sílabas. 
É importante destacar que como o foco do trabalho era o sentido, o professor priorizava um convívio significativo com o texto para posteriormente introduzir o processo de decomposição. É possível perceber que os problemas existentes e a necessidade de superar os fracassos que foram surgindo no decorrer da implementação de cada um dos métodos impulsionaram novas formas de desenvolver as atividades de leitura e escrita. 
A busca de significado para esse ensino trouxe avanços significativos para a compreensão do processo evolutivo que acontece nas discussões sobre as práticas escolares de alfabetização.

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